Motivação, força de vontade e o sentido de vida

Motivação é um termo largamente usado em diferentes contextos com diferentes significados no mundo contemporâneo.

Na psicologia, nota-se um crescente interesse pela pesquisa da motivação humana principalmente dentro de organizações e ambientes corporativos, colocando a motivação como protagonista no palco da produtividade e do bem-estar dentro do ambiente de trabalho.

A verdade é que desde Freud, o pai da psicanálise, busca-se o melhor entendimento possível para essas forças psíquicas, tendo sido explorada por Skinner, o pai do behaviorismo (ou psicologia comportamental).

Em sua teoria do reforço, hipotetizada por diversos teóricos e pesquisadores de diferentes áreas da psicologia, como na educação, se comprovou experimentalmente o papel de variáveis motivacionais nos processos de aprendizagem e memória na Psicologia do desenvolvimento de Maslow, e mais recentemente explorada por autores contemporâneos do desenvolvimento e desempenho humano, como Daniel Goleman, que traz a automotivação como um dos componentes da inteligência emocional.

Independentemente das áreas de aplicação da psicologia que mais pressionaram pelo desenvolvimento de uma teoria da motivação humana, há fatores históricos, genéticos, psicológicos (lê-se mentais e emocionais) e ambientais que condicionam esse desenvolvimento, e por isso seu entendimento não é tão simples quanto parece.

Encarada como uma espécie de força interna que emerge, regula e sustenta todas as nossas ações mais importantes, a motivação é uma experiência interna que não pode ser estudada diretamente.

Mas afinal, o que sabemos sobre a motivação? Como ela está ligada à vontade? Como estas duas forças podem contribuir para o bem-estar do indivíduo? Continue a leitura e descubra como essas forças se comunicam no seu dia a dia

A motivação e suas origens 

Um primeiro problema a ser resolvido quando se discute o conceito de motivação, relaciona-se diretamente a confusão de definição de termos que se aproximam de seu significado.

A palavra Motivação, em sua origem latina – moveres -, significa mover, e refere-se, nas ciências humanas, à condição do organismo que influencia a direção (orientada para um objetivo) do comportamento. Nesse sentido, não apenas mover-se, mas em determinada direção, sentido, persistindo até atingir determinado objetivo.

Dessa maneira, ela pode ser entendida como o processo que determina a intensidade, a direção e a persistência dos esforços de uma pessoa para alcançar sua meta.

Os indivíduos motivados permanecem na realização de suas tarefas até atingirem seus objetivos. Sabe-se que seu nível varia tanto de indivíduo para indivíduo, quanto em um mesmo indivíduo, em diferentes situações.

Ao considerarmos motivação como o motivo para a ação, podemos pensar em impulsos, instintos ou necessidades como a causa do comportamento. Assim, a principal questão da psicologia da motivação é “o porquê do indivíduo se comportar de determinada maneira”, ou seja, encontrar e reforçar o motivo para a ação acontecer.

Em meio a tantos porquês, confunde-se então conceitos diversos como vontade, desejo, esforço, entusiasmo, empolgação, anseio, sonho, intenção.

Muitas vezes não diferenciamos estes termos, o que nos dificulta a compreensão dos verdadeiros motivos das nossas ações. Compreender as diferenças entre elas nos possibilita desenvolver e fazer melhor uso de cada uma de nossas forças.

As forças da vontade

O desempenho humano está intimamente associado a dois fatores: motivação e vontade. 

Isto é, ter um motivo ou razão para fazer algo e vontade para agir. Muitas vezes, temos um bom motivo, porém, nenhuma vontade – e vice-versa.

Motivação é o combustível da Força de Vontade.

Na língua portuguesa, a própria palavra vontade está esvaziada de significado; quando dizemos estou com vontade de comer isso, confunde-se vontade com desejo, e vontade não é desejo.

Desejar é diferente de querer ou ter vontade. Segundo a psicanálise, os dois últimos são experimentados em nossas consciências, ao contrário do desejo, que está mais ligado ao instinto e posicionado em nosso inconsciente.

Nós temos dentro de nós vários tipos de força. Paixão e raiva são bons exemplos dessas forças, que muitas vezes são impulsivas, momentâneas e inconscientes. Nesse sentido, a expressão Força de vontade não é força de explosão, não é polarização, passional ou colérica… ela é uma força determinada e ligada à objetivos.

É por isso que força de vontade também não é esforço. Quem coloca esforço não está motivado. O motivado tem entusiasmo. Força de vontade não é desgaste.

Onde há vontade, há um caminho

Vontade é potência humana. É força, lúcida e perseverante. Duradoura e constante. É o ritmo no plano físico, é decisão no plano mental, é entusiasmo no plano emocional, é energia direcionada no plano espiritual.

A vontade se impõe ao corpo, a mente e ao coração. Ela é a própria consciência, que sintetiza e alinha forças, e canaliza a potência humana em uma única direção. A falta de ideal, a dúvida, a falta de finalidade, atrapalham a vontade.

Corpo, energia, emoções, conhecimento criam condições para a ação. Mas não basta ter ferramentas, temos que ter a Vontade. Se você tem vontade, você cria as condições. Um homem determinado constrói com sua vontade, mesmo diante de circunstâncias que parecem impossíveis. Vontade se impõe sobre as circunstâncias.

Seguindo esta linha de pensamento, podemos dizer que a vontade é o controle sobre nós mesmos, que faz com que a gente alinhe todas as nossas potências; é nossa capacidade de realização. Por isso, sugiro que nossas ações estejam comprometidas com algo que é maior; nossas ações deveriam ser nobres e altruístas.

O entusiasmo é algo que o homem é capaz de manter por toda vida. É algo que sentimos internamente e que é capaz de te motivar pela vida fora. Em outras palavras, é se comprometer com o futuro. Por isso devemos canalizar nossa vontade, e não deixar que ela se esgote.

A depressão é uma doença da vontade. Assim a pessoa deprimida perde o desejo, a vontade. Esse indivíduo pensa muito obsessivamente, ele não consegue se desligar dos problemas. Ao mesmo tempo, ele fica muito angustiado e ansioso, com os sentimentos à flor da pele.

A vontade está ligada ao futuro; e o depressivo não consegue ver o futuro, ele tem dificuldade em achar uma saída para o problema (a saída está no futuro). O depressivo, então, acaba vivendo no passado porque a vontade, o querer ir para o mundo e agir está fraca, está doente. A vontade é a base da esperança; essa pessoa perde a esperança.

A falta de sentido de vida claro, duvidar dos fins e a falta de ideal são os elementos mais debilitantes da vontade, portanto, lembrar das nossas razões para viver acende a motivação para permanecer vivo e lutar pela existência.

Nosso propósito pode guiar as decisões da nossa vida, influenciar nosso comportamento e humor, moldar objetivos, oferecer um senso de direção e principalmente criar significado para o que você faz. Isso é dar sentido para sua vida, e poderá te manter motivado.

E você? Para onde tem canalizado sua vontade? Qual o motivo de se levantar todas as manhãs da cama?

Texto: Thifanny Subtil Kutkiewicz, idealizadora do programa de bem-estar Inside e CEO Kliné (@kline.ista). Atua como psicóloga clínica há 14 anos e é especialista em Psicoterapia Breve pela Universidade de São Paulo (USP) e em Mindfulness pela UNIFESP (MBHP). Tem mestrado em Psicanálise e Filosofia da Cultura pela Universidade Complutense de Madrid.

* Este artigo representa a opinião do seu autor e não a posição oficial da página.

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